quarta-feira, 14 de maio de 2008

Salve Jorge, mas cuidado com o dragão!


Por que São Jorge sempre está lá, em 10 entre 10 bares, com um copinho de cerveja que lhe é oferecido pelo dono do local ou por quem derrama o primeiro gole de cachaça no chão e diz: ‘essa é para o santo’?

Além da grande devoção dos cariocas por São Jorge — a febre invadiu até mesmo estampas de grifes famosas —, a explicação está no sincretismo religioso do Brasil, que liga a religião afro ao catolicismo. Ou seja: o Santo Guerreiro seria a representação de Ogum, orixá da guerra.

E a bebida de Ogum é justamente a cerveja! Está aí a explicação: quer coisa melhor para proteger um botequim do que santo guerreiro e que bebe cerveja? Mas nada de chegar no bar, encher a cara, incorporar São Jorge e sair por aí matando dragão, hein?!

Beco do Rato e Canto do Rato

O Canto é cria do Beco do Rato, que também não pára. No Beco, foram instalados toldos enormes e a chuva já não é mais problema para quem fica na rua. No cardápio, além da badalada porção de pastel de angu (R$ 13 a porção com oito), agora tem pizzas. Em breve, serão servidos sanduíches. Para o almoço, o prato sai a módicos R$ 7. Gostinho de comida caseira e vale a sugestão de pedir o bife à milanesa ou a carne seca com abóbora.

Na ausência do Márcio, gente-fina de primeira que é o responsável pelo Beco, ficam no comando sua mulher, Lenira Vieira, e Paulinho Chiclete, que fazia parte da diretoria do Renascença Clube (onde toda segunda-feira rola o Samba do Trabalhador, com Moacyr Luz e companhia, lá na Barão de São Francisco, no Andaraí).

Lenira é sinônimo de simpatia, bom atendimento e bate-papo de primeira. "Crescemos e revitalizamos uma área que não tinha quase nada. Agora, vamos ampliar ainda mais", vibra Lenira, que conhece o cardápio de ponta a ponta e sugere sempre uma boa pedida. A cerveja é a famosa c...de foca! Vem como se tivesse mofada. Tem todas que você possa imaginar! Sempre gelada.

A programação segue com o choro (quinta-feira, com o grupo Receita do Choro, a partir das 20h), samba (sexta-feira, com o grupo Samba de Raízes recebendo Iracema Monteiro e Fábio Barreto, a partir das 22h), mais samba (terça-feira, com Toninho Geraes e compositores, a partir das 20h) e roda de poesia (quarta-feira, de 15 em 15 dias). Lenira pede para avisar que não é cobrado couvert artístico. Em dias de eventos, porém, a cerva custa R$ 3,50. Mas quem pedir três paga R$ 10. Uma Brahma em dia normal sai a R$ 2,80.

PS: Os painéis com o trio Moacyr Luz, Aldir Blanc e Arlindo Cruz, outro com Fundo de Quintal, e um com Zeca Pagodinho de maquinista do bonde de Santa Teresa e Beth Carvalho de carona são show. Tem também do nosso bravo São Jorge e do Preto Velho.

Beco e Canto do Rato - Rua Joaquim Silva, 11, loja. Telefone: 2508-9574

Verdades e mitos sobre a cerveja

Para quem gosta mesmo do assunto aí vão algumas verdades e mitos sobre a cerveja na explicação do mestre-cervejeiro da AmBev, Carlos Ernesto Welsch

Verdades
Quanto mais nova mais gostosa. Você sabia que, ao contrário do vinho, quanto mais jovem, melhor a cerveja e, consequentemente, o seu sabor? Isso mesmo, a loura gelada não pede envelhecimento e deve ser consumida logo que for produzida.

Armazenar a garrafa sempre de pé. Ao contrário do vinho, a garrafa de cerveja deve ser armazenada de pé.

Colarinho: Tomar cerveja sem colarinho é uma heresia. A cerveja deve ser servida com um colarinho de espuma de 2 a 3 dedos. A espuma faz parte da composição da cerveja e contribui para preservar melhor o aroma e o sabor do produto ao beber. Além disso, o aspecto visual do produto fica muito mais bonito e realça o prazer de saborear uma boa cerveja.

Gordura no copo Resíduos de gordura no copo são fatais para a bebida, acabando com o colarinho e liberando o gás carbônico, o que deixa o líquido com gosto descaracterizado.

Benefício para a saúde: Diversos estudos publicados em importantes veículos independentes, comprovam que o Consumo Moderado de Cerveja pode trazer uma série de benefícios. O site www.bierengezondheid.be pode ser útil. Vale lembrar que a cerveja é antes de tudo um produto que historicamente é consumido em momentos de celebração.

Mitos
Cerveja engorda? Esta é uma das maiores dúvidas dos apreciadores da "loura gelada". Na mesa de um bar, é comum ouvirmos falar que "cerveja dá barriga". Pura crendice popular! Não existe uma relação direta do líquido com o aumento da gordura corporal. Uma lata de cerveja tem, em média, 140 calorias, menos do que um suco de laranja, por exemplo. Isso quer dizer que a nossa cervejinha está totalmente dentro da nossa dieta, se houver um consumo responsável, é claro!

A água de Petrópolis é melhor que a água de Jaguariúna? Outra questão bastante comentada pelos apreciadores do ouro líquido diz respeito a água, ingrediente que responde por 90% na composição da cerveja. Existe diferença entre a água de um estado ou outro, da capital e do interior? A resposta é não! Indiferente da fonte que abastece qualquer região do Brasil, a água sempre passa por um processo de "preparação" que a transforma em água cervejeira. Hoje a AmBev, por exemplo, dispõe de tecnologias e controles de qualidades que conferem a mesma qualidade da água em qualquer uma de suas fàbricas. Assim, a água usada para a fabricação de cerveja no Sul é a mesma no Norte ou Nordeste do país, o que faz com que o resultado final seja o mesmo.

Cerveja de garrafa é mais gostosa que a de lata? A teoria também se aplica a latinha e garrafa. Engana-se quem pensa que o líquido de uma é diferente do líquido da outra. A cerveja é a mesma e o que pode influenciar no aroma e sabor é o modo como você resfria ou conserva a bebida. A exposição ao sol e calor e o congelamento são grandes inimigos da boa cerveja. Aliás, a melhor maneira de gelar a cerveja é coloca-la na geladeira. O freezer pode ser usado apenas nos últimos minutos antes de beber. Mas lembre-se que não se deve degelar a cerveja e depois voltar a resfriá-la. A bebida pode ficar "xoca" e com sabor alterado.

O chopp tem menor teor alcoólico que a cerveja? Não, ambos têm exatamente o mesmo teor alcoólico. A diferença entre o chopp e a cerveja é a pasteurização, que consiste num processo de aquecimento e resfriamento rápido para conferir maior estabilidade microbiológica ao produto. Enquanto a cerveja é pasteurizada para que seu prazo de validade seja mais longo, o chopp não é pasteurizado. Por esse motivo, o chopp tem um prazo de validade menor.

Cerveja preta aumenta o leite materno? A cerveja preta, como muitos pensam, não aumenta a produção de leite materno. O que acontece é que, por não ser filtrada, a cerveja do tipo stout como a Caracu, por exemplo, possui levedura, ingrediente que, junto às proteínas de fermento e malte que compõem a bebida, age como fonte de energia.

Casa da Cachaça




Uma pequena porta na Avenida Mem de Sá guarda uma grande história. Fundada em 1960, a Casa da Cachaça ficou sete meses fechada no ano passado, mas reabriu no dia 19 de outubro, com Paulo Rodrigues e o gerente João Belo à frente de mais de 800 marcas da branquinha. Do som, saem os acordes do samba, choro e grandes nomes da música popular brasileira.

Oswaldo, antigo dono, morreu em 2006, mas deixou vivo o legado da cachaça na Lapa. Os freqüentadores mais antigos chamam a casa de sarcófago da cachaça. No minúsculo recinto, com aspecto de pé-sujo, o clima é de nostalgia. Fotos de Madame Satã, desenhos de Carlos Zéfiro, o bravo São Jorge, o alambique, a antiquíssima máquina registradora, fundo sonoro com Nelson Cavaquinho, Aldir Blanc, Clara Nunes e mais dezenas de bambas, dão um charme especial ao ambiente.

São vendidas doses e garrafas de cachaça, com preços negociáveis na hora. A mais antiga é a Melado da Bahia, de 1962. Tem Rancheira, Isaura, Marimbondo, Germana, Beija-Flor, Salinas, Lua Cheia, Gengibre Afrodisíaco, Chalana e haja etc...nisso. Certa vez, o falecido Oswaldo riu de um cliente que perguntou: "Que cachaça o senhor tem aí?". As cervejas também merecem espaço: Brahma, Itaipava, Antarctica e Skol.

A Casa tem banquinhos de madeira e mesas na calçada à noite. Um pé-de-cachaça brotou no meio do bar e ostenta dezenas de garrafas do chão até o teto. Os clientes e amigos fiéis têm direito a Carteira do Cachaceiro, que traz algumas normas como: beber até o fígado agüentar, só beber em copo duplo e por aí vai. "Mantemos a tradição da casa. Temos música boa e centenas de cachaças. Eu mesmo sou um admirador da branquinha", afirma o gerente João Belo, gente boníssima.

Aos domingos, a partir das 16h, rola uma roda de samba e choro de primeira qualidade comandada por Rubinho, Pedro, João e companhia. O freguês ainda pode deixar sua filosofia de bar pregada num moral. Algumas merecem destaque. "Se o bar é bom o chope é cana", "Casa da Cachaça é meu fígado", "são muitos trópicos e psicotrópicos", "jamais aponte uma estrela para um idiota que ele pode olhar para o seu dedo", "em casa de malandro não existe corno", "viver pouco como rei ou muito como Zé?", entre outras.

Como tira-gosto, a pedida é o queijinho metido a palmito (realmente parece um palmito), que sai a R$ 1,50 a unidade. A nostalgia da casa está no ar, em cada detalhe, nas garrafas espalhas pelas paredes, penduradas aos montes no teto, nos rótulos que viraram adesivos. A casa é da boa. Entre e fique à vontade.



Casa da Cachaça - Avenida Mem de Sá, 110
Telefone: 2531-7219
De segunda a quinta-feira - Das 10h às 3h
Sexta e sábado - Das 10h às 7h
Domingo - horário flexível

Bar Sativa



O Bar Sativa dá samba. Vizinho da quadra da Imperatriz Leopoldinense, em Ramos, o botequim é o melhor da região. O mocotó servido na casa é ponto de referência do bairro, mais até do que o Sesc, na rua ao lado. "A Imperatriz fica perto do Sativa, que tem aquele mocotó sensacional", ensina um morador para quem vai pela primeira vez ao samba da verde-e-branco.

Difícil de ser encontrada nos balcões, a Brahma Extra é estupidamente gelada. "Garanto que é a mais gelada da região", afirma Maurício, que toca o bar há 10 anos. De segunda a segunda, o almoço seduz não só pela qualidade como pelo preço em conta. Uma bela carne assada, que desmancha na boca, sai a R$ 6. Para tirar um gosto, tem calabresa, salaminho, filezinho aperitivo, entre outras opções. O mocotó custa a bagatela de R$ 5. Mais mole do que isso, somente dois disso. Outro prato que sai muito é a carne seca com abóbora.

No sábado à tarde, enquanto as mesas do restaurante vizinho, que tenta ser sofisticado, clamavam por um único cliente, as mesas do Sativa clamavam por cervejas. A calçada, aos poucos, foi sendo tomada. Famílias, aniversariantes, amigos. Um clima cada vez mais em falta nas prateleiras da zona sul. "O charme do bar é a calçada, um lugar gostoso. Não somos lanchonete nem restaurante. Somos e continuaremos sendo um bar", brada Maurício.

Quando tem ensaio da Imperatriz, o pessoal da Velha Guarda encosta no balcão do Sativa. Além de cerveja, não poderia faltar a cachaça. De fundo musical, o repertório só tem coisa boa. Tudo conspira a favor. O clima é bom. Bem colado ao Sativa, o Bazar Nanã vende artigos religiosos do candomblé. Peça à benção aos orixás e tome cerveja.

Bar Sativa – Rua Euclides Faria, 92, loja B – Ramos
Telefone: 2561-3199

Bar do Willian (Conjunto Vivendas de Bangu)


Termina o futebol do condomínio Vivendas de Bangu e a rapaziada corre para começar os trabalhos no balcão. Perto dali, o Bar do Willian é pequeno, mas tem o essencial e um algo mais: cerveja gelada e para acompanhar nada mais nada menos do que uma costela de porco no bafo. É de babar e o precinho ó: R$ 6 Quem vê, a princípio, pode não dar nada por esse cantinho de Bangu. Ainda tem angu à baiana e mocotó. Carne seca com aipim também sai que é uma beleza. Com um clima bem família, o Bar do Willian entrega em domicílio ali pelas ruas próximas. Em dia de futebol, a televisão está sempre ligada e o local cheio. Esse é do tipo simples, bom e barato.

Rua Cannes, Conjunto Vivendas de Bangu
Telefone: 8188-4713

Salve o Botequim "Pé-Sujo" !!

Taí um verso que eu cantei, pra dentro, todos os dias desde que me entendo por gente.
Cantei pra dentro. Hoje eu canto pra fora. Canto alto. Ora batendo forte na palma da mão, ora riscando o chão com a pemba imaginária marcando o terreiro em que piso com respeito e pedindo a proteção contra os maus elementos.

E canto – ao contrário do Paulinho da Viola – pra dizer que no meu coração agitam-se, sim, as ondas de uma paixão perene que sofre, dia após dia, o ataque enfurecido dos maus elementos e daqueles que dão sustento a eles.

Vou explicar, vou explicar!

Os maus elementos são os que se apresentam com uma cara que não é a real. São, e estamos falando de buteco, pô!, os estabelecimentos comerciais que visam apenas o lucro e que se apresentam como BOTECO, BOTEQUIM, esses troços. Vou dar nome aos bois para que tudo fique ainda mais claro.

Aqui no Rio os maus elementos são – para citar apenas alguns – o "Boteco Belmonte", o "Botequim Informal", o "Espelunca Chic", o "Devassa", o "Tô Nem Aí", o "Conversa Fiada", o "Antônio´s" – não o sagrado, hoje conspurcado pelos mesmos que gerem a rede "Belmonte", que ainda abriram o "Codajás" –, o "Manoel & Juaquim", bares que pretendem iludir o incauto consumidor. Metem na entrada uma placa onde se lê BOTECO, BOTEQUIM, e pronto: neguinho acha que está, ó, dentro de um autêntico buteco – com "u" mesmo.

Mas eles não se satisfazem com umbar, não. Eles abrem franquias. E essas franquias se transformam em filiais. O que eu chamo de "Mc Donald´s de bêbado".

E essas filiais são como uma metástase.

Com o dinheiro que têm – lembrem-se de que quem toca os estabelecimentos comerciais que visam apenas o lucro são investidores, e investidores não jogam pra perder – vão passando por cima de todos os botequins mais vagabundos aos quais eu não resisto como um rolo compressor e destruindo a história de um povo, a história de uma cidade, a história de uma tradição.

Eu, lá em cima, falei dos maus elementos e dos que dão sustento a eles. Não vou dar, exatamente, nome aos bois, isso daria muito trabalho. Mas não vai ser difícil perceber que há uma coerência no meu canto pra fora – não mais pra dentro! - como uma denúncia contra essa máfia que contribui – sabe-se lá a que preço – para o incremento dessa indústria mentirosa que atenta contra o que há de mais caro ao carioca.

Você abre um jornalão e está lá, na capa, a fotografia do estabelecimento. Você vai à matéria anunciada na capa e está lá o depoimento de um bobalhão sobre o pastel de funghi com berinjela servido nesses lugares de lamentáveis condutas. Abre outro jornalão e está lá, mais propaganda explícita, com a criação de expressões tão nojentas quanto nojento é o modus operandi das assessorias de imprensa desses verdadeiros impérios que crescem como trepadeira: é o "boteco pé-limpo", o "pé-sujo fashion", e outras pérolas do gênero.

Por isso eu canto, diariamente, que eu não resisto aos botequins mais vagabundos, os autênticos, onde bebe o carioca da gema, onde bebe o pinguço fundamental para a composição do cenário que me comove, onde bebe o sujeito que sequer sabe da existência de tanto mal elemento por aí.

Salve, portanto, todos os "pés-sujos" - DE VERDADE !!!